O Nariz da Rena .

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


Ninguém deve passar o Natal sozinho .. mas .. e o resto dos dias?

Tantas pessoas perdidas como cerejas trigémeas que parecem dar ainda mais prazer ao comer mas que no fundo sabem ao mesmo que as solitárias. Passamos por elas e olhamo-las de lado com desprezo e agonia. Não conhecemos e muito menos percebemos o que as levou a chegarem àquele ponto de sujidade e solidão.
Que história estará por detrás daquelas rotas velhas calças?

Ontem fui passear por Lisboa e deparei-me com muitas dessas pessoas.
Uma estava à porta da igreja, "deitadamente" sentado com as pernas tortas e os olhos fechados. Ignorei e entrei na igreja.
Fui lá para a admirar, para apreciar a sua beleza, beleza essa que ainda mais tinha após o incêndio que a desfez há 50 anos.
Ao entrarmos perguntaste-me se era religiosa.. Eu disse: "Não..Não Sei. Não acredito na Religião Católica.". Tu acrescentaste: "..ou acreditas apenas em algo superior?". Eu não te falei de volta. Não quis responder, naquele momento não me passava outra coisa que não... isto:


- Enquanto a olhava recordava-me do quanto tinha chorado duas noites antes, quando te enviei aquele sms onde mostrava a minha fraqueza. Ao lembrar-me deu-me vontade de chorar novamente mas recolhi as lágrimas ao virar-te as costas, não como o fiz há um ano mas um virar de costas como aquelas que os anjos não têm. Não por me considerar um anjo mas por saber que demónio não sou e que anjo és tu.
Quando saímos olhei novamente para o sem-abrigo, pus o gorro na cabeça e seguimos caminho sem sequer comentar aquela figura perdida.


  • E se tivéssemos parado para conhecer a sua história?
  • Ter-nos-ia isso tirado algum pedaço maior que não o momento seguinte em que bebemos Ginginha?
  • Teriam aqueles 10 minutos feito assim tanta diferença nas nossas vidas?
  • Nos quilómetros que percorremos nesse dia?
  • No tempo que perdemos no Pão de Açúcar ou na cama?


É hipócrita.
Sinto-me hipócrita.

Sou hipócrita por me custar não dar atenção às pessoas que me rodeiam.
Por saber que não está correcto mas mesmo assim preocupar-me mais com o meu umbigo ou o meu cabelo. Por me chamarem à atenção e mesmo assim voltar a fazer a mesma merda. Depois escrevo a lamentar-me das misérias com que me cruzo, que me rodeiam.

Preciso de agir, preciso de encontrar algo que me preencha, algo que sei que ajuda essas pessoas para quem não olho.

Para uns é ridícula esta forma de estar e viver, para mim não há nada melhor que a satisfação própria, o sorriso nos olhos de uma pessoa não com a justificação de que é Natal, como fazem as estações televisivas e radiofónicas mas porque sim! ..

Não preciso que me agradeçam, só que sorriam. Não faço nada para que me dêem algo em troca, apenas que aproveitem o que lhes é dado: seja um microfone, uma casa arrumada ou um bilhete para o melhor concerto do mundo. Assim como falo de mim, falo também para quem me dá: Não agradeço, sorrio apenas ., sorrio apenas.

Lembrança do meu .

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009


Porque tu vais sendo a minha perdição .
Porque tu me fazes querer ficar sem ter forças para lutar .
Porque tu dizes que vale a pena .
Porque eu acredito .
Porque tens ideia do que me fazes .
Porque sentes o mesmo que eu .
Porque não dizes o que pensas .
Porque mentes sem dizer mentiras .
Porque não me enganas com a verdade .
Porque tu és uma guitarra em expansão .
Porque queres mais e eu não .
Porque me fazes escrever .
Porque gostas das músicas que não existem .
Porque nem olhas para quem te olha .
Porque tens receio de te partires .
Porque tocas com a ponta das mãos nos pés .
Porque vais entrando e saindo com tanta graciosidade .
Porque és timidez em pessoa .
Porque sorris comigo .
Porque saltas por cima deles .
Porque tens uma borbulha no cotovelo .
Porque me dás o que não te dou .
Porque és comigo o que podes ser .
Porque não me mostras tudo .
Porque me pedes .
Porque te levantas sem forças .
Porque me atiras contra a janela .
Porque mexes no que não deves .
Porque te afasto os braços com violência .
Porque te desvias do que me leva .
Porque atiras sem preparar .
Porque gostas de alfinetes verdes .
Porque eu gosto de panelas azuis .
Porque comes com os pés .
Porque eu como contigo .
Porque talvez .
Para quê?

(doença que me caligina)

Hpeifvbqpfvubsd+in .

terça-feira, 1 de dezembro de 2009


A hora tardia faz-me reflectir. 2.

Entre soluços e orgasmos não sei o que me faz sentir pior.
Se a força que tento ter, se a vontade de te comer.

Arrastas-te até mim com esses arremelados pretos olhos incultos e inconscientes do que está para vir. Persegues-me como se soubesses o que te espera sabendo que é comigo que vais acabar.

Convidas-me para um chá e uns scones cheios da doença ocular, que é a tua menor preocupação mesmo sabendo que não correrá bem. As sequelas são inevitáveis.
Tentas procurar conforto no que ultimamente te tem dado mais atenção mas não sabes o que procuras ao certo. Sabes que é comigo que queres estar, que é na minha cama que queres acabar o dia mas a forma como o tentas fazer não é suficiente para me agarrar. Tenho um escudo racional que não deixa que os germes me ataquem e me tirem a vista.

Tento dar o que não te dei durante tanto tempo. Tempo esse em que estiveste sempre presente mas onde nunca encontrei o teu valor até .... agora. Estiveste sempre na minha cama com vontade de mais e mais, eu é que nem reparava em ti. Ou reparava mas não ligava. Ou não reparava mas sentia. Ao não reparar sabia que estavas presente e isso não me permitia dar-te atenção, tinha-te por algo certo e que iria continuar presente independentemente do que fizesse.



Aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh!
(estou mais aliviada)

Grito por saber que não me ouvem ou por saber que mesmo que me ouçam não virão em meu auxílio. Sei cuidar de mim!
Bullshit!

A importância que não dão, dou eu a dobrar. Por competência ou ignorância estarei sempre presente para dobrar essa doença que insiste em atormentar quem por cá passa. Fazer tudo para que continues a querer deitar-te na minha cama. Mas também temos a tua ... ou o chão. O chão está frio! Talvez seja melhor aquelas duas mantas com uma almofada por cima do chão em contacto com o refresco da alma onde me pintas caricaturas personalizadas da tua imaginação. Parece seda! A caneta desliza mesmo sem tinta. Molha-se a ponta e lá recomeça o desatino imaginário.



Aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh!
(Acaba com isto!)

Chicken Skin .

terça-feira, 17 de novembro de 2009


I know what you're thinkin',
We were goin' down
I can feel the sinkin'
But then I came around
And everyone I've loved before
Flashed before my eyes
And nothin' mattered anymore
I looked into the sky
Well, I wanted something better, man
I wished for something new
And I wanted something beautiful
And wish for something true
Been lookin' for a reason, man
Something to lose
Know your head is spinnin'
Broken hearts will mend
This is our beginning
Comin to an end .

In the wilderness uncountable voices earplugs for the birds and the animals and blinders for your beast of burden, the will for learning these books were made for burning in the wilderness beneath the ancient sand lies crushed and tanned those sapphire girls.

May we never forget you!

Alert status red but the sun comes up instead In the wilderness senile live the zealous lost to the treasures that compel us muted down like patriots amiss you know. I'm jealous of how you can just turn them off, those bad ideas that feel so soft. May they never forget you .

A cry for help, a hint of anaesthesia,
The sound from broken homes,
We used to always meet here.
As he lays asleep, she takes him in her arms,
Some things I have to do, but I don't mean you harm.
A worried parent's glance, a kiss, a last goodbye,

Hands him the bag she packed, the tears she tries to hide,
A cruel wind that blows down to our lunacy
And leaves him standing cold here in this colony.
I can't see why all these confrontations,

I can't see why all these dislocations,
No family life, this makes me feel uneasy,
Stood alone here in this colony.

Foo Fighters
Dave Matthews Band
Joy Division

All together - lack of energy .

How delightful!
Everyone said from the start, not one single thing could ever be okay .

Só o trigo dá pão .

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Com o tempo são-nos incutidas formas de pensar, ensinamentos, crenças. Normas e valores que nos acompanharão e guiarão.

Numa idade tenra não pensamos em nada mais do que o que nos é apresentado na sua forma mais pura.

Não pensamos, agimos apenas. Observamos e comunicamos sempre com a pureza da infância. Ao crescermos desenvolvemos a nossa capacidade psíquica, de raciocínio e todas as outras características que farão de nós homens ou mulheres, mas chegamos a um ponto em que começamos a questionar tudo o que para trás nos foi demonstrado, declarado e cravado.

Perguntamo-nos o porque de ter de agir, pensar e comunicar dessa forma. Porque não da outra ou daquela?

Somos influenciados pelo mundo envolvente mas isso não nos torna melhores ou piores que antes, apenas nos abre caminhos diversos por onde podemos escolher ir. Uns mais fáceis, outros nem por isso. Uns mais abertos, outros bem estreitos que quase nos fazem perder um dedo. Uns caminhos são calmos, cheios de tranquilidade, outros selvagens onde nos tentam esmagar, desventrar para poderem chegar primeiro. Com isso aprendemos e vamo-nos transformando. São esses caminhos que nos ensinam a valorizar o que temos e nos fazem crescer.
Por mais que cresçamos, que nos modifiquemos, que nos pisem e nos empurrem a nossa essência permanece intacta.

O fundamental da característica humana é a essência, o que temos como base de nós mesmos é o que nos guia.

Viagra emocional .

domingo, 25 de outubro de 2009

Não me queixo
Não me lamento
Não quebro e não minto.
Não me tens,
Nem me dou,
Só me queres onde não estou.
Por ti choro,
Por ti sorrio,
Por ti quebro e a ti me deixo
Por saber que não estás,
Sinto tudo em desleixo.
.

Forçosamente fabriquei este poema quase imediatamente, nem pensei em rimar. A banalidade das palavras demonstra a vontade de me deixar ficar na qualidade de "sofredora", aquela em que tão poucas vezes estou quantos dedos tenho na mão esquerda.

Platão discute o que é a justiça.
Eu ouço o que tem para me ensinar. A justiça, a justiça.. Cada um faz da justiça o que mais lhe convém, a verdade por detrás dos comportamentos todos desconhecem..todos, menos quem os pratica!



Aquele vinho especial não voltará a tocar-me.

Amargamente Brilhante .

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Arranja-se um pseudónimo, cria-se uma página espiritual, encaras um tema e pensas:" Um começo de algo diferente, que me vai fazer bem. Algo que será para mim e para me sentir liberta."

Não, nada disso!

É muito mais que isso.
Torna-se o teu mundo, o teu outro alguém existente apenas em ti.
Escreves sobre o que te preocupa, aborrece, fascina, alegra, mata .. e te ressuscita. Com tudo isso esperas novas ideias, memórias relembradas de há 2 ou 3 anos. Imagens de pessoas ou momentos que quiseste gravar ou até mesmo as quais pensavas não existirem mais. Crias o teu mundo para ti, porque te faz sentir leve e com um sentimento de "dever cumprido" mas esperas que te aplaudam. Precisas dos sorrisos e ovações para saberes que existes.

Colocas-te na palma da mão de quem passa por lá embora não saibas, pois aquele é o teu mundo e ninguém tem o direito de te encarar na TUA casa, quer seja por orgulho ou despeito dás a conhecer o teu mais profundo lado: o controlo.
Sabes que controlas cada situação, mas sem reparares afundas-te. A profundidade a que podes chegar pode ser o suficiente para te matar, (é disso que receio) o oxigénio que pensas ser o alimento para continuares viva, vai-te tirando vida tão lentamente..

O inconsciente leva a melhor em ti!

Tens a espontaneidade em ti por vontade própria, pois, assim, ensinaste-te a ser desde sempre. Faz-te sentir livre de tudo o resto e o facto de saberes que se quiseres consegues controlar isso, leva-te a querer ir ainda mais longe nesse caminho tão saborosamente perigoso.
É fascinante ver-te divagar e defender algo em que acreditas. Não interessa quais o motivos que levaram a uma qualquer discussão, defendes até ao fim e lutas por paixão.

Amas o que fazes em tudo!

Desvalorizas-te por pensares que vale a pena, bates com a cabeça, mas por seres forte, levantas-te e recomeças. Por mais que te façam mal, se amas, continuas a combater tudo o resto até tudo ficar como sabes que deveria ser. (só para ti)
Não por seres egocêntrica como muitos te caracterizam, mas por quereres ser perfeita e reconhecida por isso.

Gostas de atenção e de elogios mas não de beijos ou abraços.
Gostas de sentir que existes através da admiração que te é demonstrada por ouros, mesmo que nem os conheças, no entanto, não precisas deles para seres tu.. és espontânea!














Tudo isto remete para a contrariedade e confusão explícita em ti.
A inteligência imensa que nutres é a tua maior arma e a tua maior perdição.

Influência Lia .

quinta-feira, 24 de setembro de 2009



A hora tardia leva-me a reflectir sobre o que se vai passando. 1.

Hoje senti-me traída após ter-te amparado, ao ver-te em frente ao televisor a sorrir depois da dor demonstrada e da atenção requerida. Queixas-te do sofrimento que te provocam mas fazes ideia do tormento provocado a quem te rodeia? Sei que não o fazes por mal e que está em ti essa capacidade de não pensar (de todo) nos outros quando tens de pensar em ti, mas não se faz. Por mais que não queira melindrar-me com isso, é inevitável passar-me pela cabeça as decisões que já tomei devido a essa angústia imensa demonstrada nos momentos tão (pouco) oportunos.


Tens um coração desmesurado e, por isso, venero a mulher que és!


No entanto, por vezes, consegues afastar-me de tal forma que chego a sentir-me a mais nesse teu mundo tão sofrido. Sentimentalizas cada exercício proposto pelo fatum, confundes situações de aprendizagem com problemas pessoais. Traduzes tudo com uma conotação de sofrimento capaz de te deixar de rastos, não consegues ver algo apenas pelo ponto de vista de que, por vezes, serve para aprendermos e não para nos prejudicar..



..sofres por favor e com vontade.

Recomposição .

sexta-feira, 24 de julho de 2009









E se eu passar daqui . .











. . para aqui . .






. . será que fico assim?

My Prince, . . .

terça-feira, 14 de julho de 2009

. . . em todas as vezes que trocamos umas letras misturadas com (des)respeito, eu volto.

Não interessa o que sei ou o que me vai entrando pelos ouvidos de cada vez que és assunto, pois quando estamos só os dois na emboscada tu acabas sempre satisfeito e sorridente enquanto eu acabo apaixonada e de costas a chorar em segredo . Desejando tão mais!
Sei que para além da parte sexual que me cola a ti, existe a vontade de te salvar. A minha vertente humanitária é o que mais me controla contigo.

You're hopeless .

Silence is sexy .

segunda-feira, 13 de julho de 2009


Tive um acidente mental logo ao acordar.
Trocaram-me o sentido da via sem avisar e embati numa carrinha apinhada de desgosto, fúria e pena.

Tinha quatro ocupantes. O condutor tinha bigode. A pendura, uma mulher robusta de cabelo loiro quente e ondulado sereno, tinha óculos. Os outros dois, embora de aparência jovial, tinham uma velhice noticiada pelo olhar penetrante e nas palavras merdosas proferidas entre eles. Não passavam de vultos!
Com tanta presença sombria não atrevi a meter-me na discussão sobre de quem era a culpa, se do Papa ou de Santo António.

Fiquei a observá-los e a estudá-los tentando perceber qual o meu papel ali. Qual o propósito naquele assunto. Fui eu que provoquei o acidente sem me ter apercebido, por isso, por que discutem eles?
Que objectivo esperam atingir com tal comportamento?
Fiz diversas tentativas para me escapar daquele mundo tão enfadonho e triste ao longo do dia mas todas foram em vão. De certa forma, fascinava-me a perspectiva com que encaravam a puta da discussão.

Finalmente terminou.

O consenso não chegou mas a hora tardia acabou por os derrotar.
Quando cheguei a casa troquei de roupa tão rapidamente que nem me lembro de a ter escolhido.

Queria sair do que me atormentou durante todo o dia, não ouvir aquelas vozes encrostadas na estrada que provocou aquele aparato, não queria continuar a tentar perceber, não queria, se quer, de saber que eles existiam.
Só queria silêncio e amor.
Depois de divagar pela estrada que eles não conseguiam controlar dei por mim junto ao que me orgulha de tudo o que fiz até hoje.
Qual barulho de festas ou de brasileiradas mesquinhas e doentes!
Nada me fez perder a paz que encontrara ao ver-te.
Aquele animal com capacidades limitadas e inteligência primitiva deu-me hoje o que eu procurava descobrir desde que me cruzei com os quatro antros que me acompanham: A capacidade de me apaixonar pelo silêncio.

O resto fica para mim e para quem sabe de tudo.
Ninguém.


Escrevi isto no trânsito.

Bipolar .

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Nada sai daqui.
Nada mostro.
Nada conto.
Nada temo.
Nada tenho.
Nada enterro.
Nada escondo.
Nada me conhece.
Nada me acompanha.
Nada existe.
Nada me recorda.
Nada me contenta.
Nada sinto.

------------------

Tudo desaparece.
Tudo mostro.
Tudo conto.
Tudo temo.
Tudo tenho.
Tudo enterro.
Tudo escondo.
Tudo me conhece.
Tudo me acompanha.
Tudo existe.
Tudo me recorda.
Tudo me contenta.
Tudo sinto.

-----------------

Uns com consciência do que lhes mostra esse caminho, outros com mais certezas que nem o chegam a conhecer.
Esses "outros" vivem alimentados à boca pela mão dos que não existem. A complexidade simples e facilidade oportuna com que crescem é soberba, são esses que se fazem conhecidos por meios deploráveis aos meus olhos.
Querem mais e mais e conseguem-no pela facilidade com que brincam e analisam cada movimento, cada letra de um qualquer postal.

Pisam. Saltam. Sobem.

Aqueles que não existem são tão ridículos e banais que chegam a ter escrito na testa o que são, o que fazem e o que querem. São puros e invejados pelos "outros" .
Não existem.


"A felicidade não existe."

Roubaste-me um braço .

segunda-feira, 29 de junho de 2009


A revelação de factores prósperos a uma decepção torna-nos mais lúcidos do que o passado se limitou a esconder.
Com o tempo crescemos e adaptamo-nos ao mundo à nossa volta. Deixamos de pensar no que aconteceu e limitamo-nos a viver o que o destino nos apresenta.
Eu não me vou adaptar. Recuso-me. Sou melhor.

A amizade.

Pela primeira vez vejo-me encurralada em paredes que nem sabia estarem ali. Passava por elas mas nem lhes ligava. Limitava-me a acenar, a cortejá-las por respeito ou simplesmente por o que tinham significado um dia. Elas, por sua vez, nem me olhavam.
Hoje sei que nem por um dia estive encostada a uma delas. Nem à da direita, nem à da esquerda ou mesmo à que está por cima da minha oval cabeçorra.

Não fingo ser alguém que não faz parte do que alguma vez fui ou com o que idealizo vir a ser um dia.
Nesse dia estava lá, mas fingi. Não menti, não me falsifiquei mas fui eu como Cabra.
Não me quero ensinar a ter esse comportamento, não quero conseguir controlar-me ao ponto de ter de me sentir suja e usada sabendo que poderei retribuir da mesma forma se assim o quiser, como o fiz nessa noite.

Ontem dormi às 5h.
Terminei de ler o livro.
Tomei uma decisão:
- Vou falar.

Não quero algo.
Não quero desculpas.
Não vou ignorar.
Não me vou afastar sem saberes o motivo.
Não vou deixar que continues cega.
Esse é o meu dever, não como amiga que pensava ser mas como Eu.

É como chamar a atenção a alguém que não se conhece de que tem parte do seu folhado de chocolate cravado num dente a sorrir-me.

Só isso.

Penetração Florestal .

sexta-feira, 26 de junho de 2009


Sonho quase todos os dias com o que pareço temer e com o que possa desejar. Hoje sonhei não com o que tive mas com o que quero ter.

Marcar-te com poder deplorável e simbólico de forma a que desejes comer-me novamente.

Agenda .

sexta-feira, 19 de junho de 2009


Conversámos . Sorri .
Combinámos . Conduzi .
Correremos . Saltei-te . Sorriste . Resisti .
Cumprimentei . Sorri .
Sentei-me . Ouvi .
Sorriste . Correremos . Olhei . Andei . Corri .
Despiste-te . Sorri .
Parámos . Olhámos .
Surpreenderam-nos . Despimo-nos . Sorrimos .
Nadámos . Sorri . Reagimos .
Olháste . Sorriste . Resististe .
Olhei . Resisti . Sorri .
Vestimo-nos .
Procurámos .
Encontrou .
Sorri . Andámos . Comemos .
Olhei . Sorri .
Conversámos . Resististe . Olhei . Sorriste .
Despedimo-nos . Sorri .
Andei . Conversei .
Conduzi . Despedi .
Conduzi . Dormi .
Sonhei Sorrindo .
Acordei . Sorriste .
Conversámos .

Apatia ofegante .

segunda-feira, 15 de junho de 2009



Tento ler, decorar.
Tento concentrar-me e não acordar.
Ouço-te falar, ouço-te soluçar entra palavras choradas.

Quero amparar-te hoje como sempre tenho feito, mas vou deixar-te estar. Vou ser egoísta pela primeira vez e pensar em mim, pois se tento dar-te força enfraqueço-me.

Sou forte, tento ser ou demonstro ser e não sou. Luto por isso e por isto. Luto por mim e por ti. Por todos vós. Mas por mim, sempre por mim. (???!!!)

Este é o momento!
O momento em que evoluo e me transporto para outra margem de mim.
Já tenho mamas e pelagem, não é, por certo, disso que falo. (que merda!)
Falo da evolução, da transformação em algo maior e mais credível.

Amanhã é o dia! Amanhã, amanhã, amanhã...!
[Não penses nisso e estuda!]

Estou cansada. É esgotante.

Por tópicos e sonhos .

segunda-feira, 8 de junho de 2009


O sentimento que urge a cada dia que passa dá-me mais voltade de falar, de escrever, de sentir e de beijar ocasionalmente a pessoa com que sonho o inverso.

O beijo foi energético, a dimensão soberba e a forma como o fizeste saborosa.
Descrever o que senti é pensar demasiado num momento tão inefável e infernal capaz de nos querer fazer voltar a adormecer para sentir tal doçura.

Quero voltar a sonhar.
Quero voltar a sentir-me contigo.
Quero um gelado de baunilha.
Quero o teu sabor nos meus lábios.
Quero ser quem me quiseste ali.
Quero não pecar, não divina mas humanamente.
Quero não ter de te negar, ou tu a mim.
Quero correr e transpirar.

Escrevo isto hoje para amanhã sorrir como o fiz esta manhã ao acordar. Para me sentir viva e morta. Para não me deixar levar e ficar apenas a viver-te.
Não te venero, não te adoro, não te amo. Apenas gosto-te, de uma forma pessoal e imcompreesível talvez, mas sendo eu e nunca outro alguém.
"A mim podes-me contar tudo.", dizes tu às 00h18.
Eu conto e sinto-me livre, honesta, real e sentada. Tu fazes-me festas no pescoço e ris-te, eu sigo-te com o olhar e sinto-as.

Terá sido mesmo um sonho?!
Já tivemos esse momento, não pode ter sido apenas um sonho.
Foi um relembrar para um não esquecimento?!
Não me esqueci por isso não pode ter sido.

Fui eu, só eu que te fiz ficar cá. Fazes-me feliz em ti, isso tranquiliza-me.
É isso! Tranquilidade! (e um pouco de loucura)

quarta-feira, 3 de junho de 2009


O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas -
Tudo isso faz um cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah! com felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
ìssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

.Álvaro de Campos

terça-feira, 2 de junho de 2009

Fumar, fumar, fumar.
Pensar no que poderá estar a acontecer.

"Pensamento positivo", dizem eles.
"Despeçam-se", diz ela.






Não nos preparam para isto.

Fink . . .

segunda-feira, 1 de junho de 2009



I ain't being funny, I ain't got the brakes
I ain't got the aces, I ain't got the stakes

If Only

I ain't got the nerve, I ain't got the makings of
the man you deserve, I ain't got the time

If Only

I'll be right on the train, up to town to, take you out again
Right on the train, first one outta here, to take you out again
I ain't got the bullshit, and I ain't got the lies
I ain't got the memories of tears in your eyes

If Only

I'd be right on the money, I'd be right on time
I'd be right about everything that's been all on my mind

If Only

I'll be right on the train, up to town to, take you out again
Right on the train, first one outta here, to take you out again
You got a new man, and he sounds great
I got a new girl who treats me right

If Only

I'd be right on the train, first one out
Up to town to take you out
Again

(Obrigada, Pe)

All it takes is a.."No"!

sábado, 30 de maio de 2009


A dor sentida é implacável, tornamo-nos frágeis e impotentes.
Parecemos pequenos num mundo não muito grande mas carregado de tal poder significativo capaz de nos destruir apenas com um púdico toque.



Acordei desenfreada, com tudo a tilintar para o mesmo lado.
Tentei afastá-los, mas em vão.
Olhei em volta e nada mais tinha que as coisas de sempre: o mesmo cheiro de cigarro aceso, a mesma cor naquelas paredes frias, a mesma língua de um peludo ser vivo, que tanta importância tinha mas que naquele momento soube a tão pouco, derramada na minha testa.

Tinha uma sensação diferente, de que algo não estava certo. Levantei-me e lavei a cara, olhei para as horas e apressei-me a sair. (Nessa noite perdi-me num mar de lágrimas ocas e derramadas como nenhuma outra vez o tinha feito. Perdi-me e deixei-me levar.. )


Durante esses 23 minutos não pensei no que me ocorrera 25 minutos antes. 26 minutos depois desses 25 minutos caí novamente no desespero de ser inútil em tantos casos, aqueles que turbilhavam desde a noite anterior.

Passavam 7 minutos das 17 horas quando esboçei o primeiro sorriso do dia, algo que pensei não fazer até ter de fingir que estava bem perante uma qualquer pessoa cravada na minha vida. Foste tu, meu amor, que me puxaste daquele lugar sombrio e tão solitário onde me tinha deixado ficar. Aquele sorriso durou todo o dia até este momento em que me declaro.

Para ti um Obrigada.
Para mim um "Volta".
Para ele um beijinho.
Para ela um "Até Já".
Para vós um Carolo. (nem sei bem porquê)

Cansei .

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"Dois anos de pura agonia.

Deitaste a perder a única pessoa que passou e passará na tua vida por quem valia a pena ter respeito.

Vais ser assim toda a vida, bem pequenino e insignificante. Mas fizeste-a crescer sem a tua ajuda e sem saberes, por isso, obrigada.

Puta é a pessoa que põe o Ego acima do cóxis e espera que todas a sigam."





by Susana Lopes (not the photo)

"Estás onde?"

segunda-feira, 25 de maio de 2009



Naquele dia pensei estar consciente do que estava a fazer, mas ao deitar-me na cama que tão apaixonadamente tinha colocado no sítio ideal, vi que nem tinha estado lá.
Pensei em falar.
Tinha um quinhão de perguntas para lhe colocar, mas não o fiz. Não tinha qualquer moral para o fazer e, então, deixei-me estar bem quente e segura.
Hoje tento compreender o que fiz, mas a única coisa que me ocorre (sem ser um "porque sim!") é que já o fiz e procurar uma resposta do porquê é procurar dor e sofrimento em algo que cedo passará.

Um dia voltará a acontecer mas aí já não terei problemas em perguntar, sofrer, hesitar ou esquecer, terei A atitude, a qual me conheço ter em todas as ocasiões socialmente conhecidas como "constrangedoras".
[não fazer.]

Liberdade Galopante .

domingo, 17 de maio de 2009



by João Caldas

Inteligência . Caliginosa

Inteligência:

1. Conjunto de todas as faculdades intelectuais (memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstracção e concepção).
2. Qualidade de inteligente.
3. Compreensão fácil.
4. Pessoa muito inteligente e erudita.
5. Fig. Acordo, conluio.
6. Harmonia.
7. Habilidade.


Caliginosa:

1. Em que há caligem.
2. Tenebroso, sombrio.
3. Centro caliginoso: o inferno.
4. Olhos caliginosos: olhos cegos (física ou moralmente).