Roubaste-me um braço .

segunda-feira, 29 de junho de 2009


A revelação de factores prósperos a uma decepção torna-nos mais lúcidos do que o passado se limitou a esconder.
Com o tempo crescemos e adaptamo-nos ao mundo à nossa volta. Deixamos de pensar no que aconteceu e limitamo-nos a viver o que o destino nos apresenta.
Eu não me vou adaptar. Recuso-me. Sou melhor.

A amizade.

Pela primeira vez vejo-me encurralada em paredes que nem sabia estarem ali. Passava por elas mas nem lhes ligava. Limitava-me a acenar, a cortejá-las por respeito ou simplesmente por o que tinham significado um dia. Elas, por sua vez, nem me olhavam.
Hoje sei que nem por um dia estive encostada a uma delas. Nem à da direita, nem à da esquerda ou mesmo à que está por cima da minha oval cabeçorra.

Não fingo ser alguém que não faz parte do que alguma vez fui ou com o que idealizo vir a ser um dia.
Nesse dia estava lá, mas fingi. Não menti, não me falsifiquei mas fui eu como Cabra.
Não me quero ensinar a ter esse comportamento, não quero conseguir controlar-me ao ponto de ter de me sentir suja e usada sabendo que poderei retribuir da mesma forma se assim o quiser, como o fiz nessa noite.

Ontem dormi às 5h.
Terminei de ler o livro.
Tomei uma decisão:
- Vou falar.

Não quero algo.
Não quero desculpas.
Não vou ignorar.
Não me vou afastar sem saberes o motivo.
Não vou deixar que continues cega.
Esse é o meu dever, não como amiga que pensava ser mas como Eu.

É como chamar a atenção a alguém que não se conhece de que tem parte do seu folhado de chocolate cravado num dente a sorrir-me.

Só isso.

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