O Nariz da Rena .

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


Ninguém deve passar o Natal sozinho .. mas .. e o resto dos dias?

Tantas pessoas perdidas como cerejas trigémeas que parecem dar ainda mais prazer ao comer mas que no fundo sabem ao mesmo que as solitárias. Passamos por elas e olhamo-las de lado com desprezo e agonia. Não conhecemos e muito menos percebemos o que as levou a chegarem àquele ponto de sujidade e solidão.
Que história estará por detrás daquelas rotas velhas calças?

Ontem fui passear por Lisboa e deparei-me com muitas dessas pessoas.
Uma estava à porta da igreja, "deitadamente" sentado com as pernas tortas e os olhos fechados. Ignorei e entrei na igreja.
Fui lá para a admirar, para apreciar a sua beleza, beleza essa que ainda mais tinha após o incêndio que a desfez há 50 anos.
Ao entrarmos perguntaste-me se era religiosa.. Eu disse: "Não..Não Sei. Não acredito na Religião Católica.". Tu acrescentaste: "..ou acreditas apenas em algo superior?". Eu não te falei de volta. Não quis responder, naquele momento não me passava outra coisa que não... isto:


- Enquanto a olhava recordava-me do quanto tinha chorado duas noites antes, quando te enviei aquele sms onde mostrava a minha fraqueza. Ao lembrar-me deu-me vontade de chorar novamente mas recolhi as lágrimas ao virar-te as costas, não como o fiz há um ano mas um virar de costas como aquelas que os anjos não têm. Não por me considerar um anjo mas por saber que demónio não sou e que anjo és tu.
Quando saímos olhei novamente para o sem-abrigo, pus o gorro na cabeça e seguimos caminho sem sequer comentar aquela figura perdida.


  • E se tivéssemos parado para conhecer a sua história?
  • Ter-nos-ia isso tirado algum pedaço maior que não o momento seguinte em que bebemos Ginginha?
  • Teriam aqueles 10 minutos feito assim tanta diferença nas nossas vidas?
  • Nos quilómetros que percorremos nesse dia?
  • No tempo que perdemos no Pão de Açúcar ou na cama?


É hipócrita.
Sinto-me hipócrita.

Sou hipócrita por me custar não dar atenção às pessoas que me rodeiam.
Por saber que não está correcto mas mesmo assim preocupar-me mais com o meu umbigo ou o meu cabelo. Por me chamarem à atenção e mesmo assim voltar a fazer a mesma merda. Depois escrevo a lamentar-me das misérias com que me cruzo, que me rodeiam.

Preciso de agir, preciso de encontrar algo que me preencha, algo que sei que ajuda essas pessoas para quem não olho.

Para uns é ridícula esta forma de estar e viver, para mim não há nada melhor que a satisfação própria, o sorriso nos olhos de uma pessoa não com a justificação de que é Natal, como fazem as estações televisivas e radiofónicas mas porque sim! ..

Não preciso que me agradeçam, só que sorriam. Não faço nada para que me dêem algo em troca, apenas que aproveitem o que lhes é dado: seja um microfone, uma casa arrumada ou um bilhete para o melhor concerto do mundo. Assim como falo de mim, falo também para quem me dá: Não agradeço, sorrio apenas ., sorrio apenas.

Lembrança do meu .

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009


Porque tu vais sendo a minha perdição .
Porque tu me fazes querer ficar sem ter forças para lutar .
Porque tu dizes que vale a pena .
Porque eu acredito .
Porque tens ideia do que me fazes .
Porque sentes o mesmo que eu .
Porque não dizes o que pensas .
Porque mentes sem dizer mentiras .
Porque não me enganas com a verdade .
Porque tu és uma guitarra em expansão .
Porque queres mais e eu não .
Porque me fazes escrever .
Porque gostas das músicas que não existem .
Porque nem olhas para quem te olha .
Porque tens receio de te partires .
Porque tocas com a ponta das mãos nos pés .
Porque vais entrando e saindo com tanta graciosidade .
Porque és timidez em pessoa .
Porque sorris comigo .
Porque saltas por cima deles .
Porque tens uma borbulha no cotovelo .
Porque me dás o que não te dou .
Porque és comigo o que podes ser .
Porque não me mostras tudo .
Porque me pedes .
Porque te levantas sem forças .
Porque me atiras contra a janela .
Porque mexes no que não deves .
Porque te afasto os braços com violência .
Porque te desvias do que me leva .
Porque atiras sem preparar .
Porque gostas de alfinetes verdes .
Porque eu gosto de panelas azuis .
Porque comes com os pés .
Porque eu como contigo .
Porque talvez .
Para quê?

(doença que me caligina)

Hpeifvbqpfvubsd+in .

terça-feira, 1 de dezembro de 2009


A hora tardia faz-me reflectir. 2.

Entre soluços e orgasmos não sei o que me faz sentir pior.
Se a força que tento ter, se a vontade de te comer.

Arrastas-te até mim com esses arremelados pretos olhos incultos e inconscientes do que está para vir. Persegues-me como se soubesses o que te espera sabendo que é comigo que vais acabar.

Convidas-me para um chá e uns scones cheios da doença ocular, que é a tua menor preocupação mesmo sabendo que não correrá bem. As sequelas são inevitáveis.
Tentas procurar conforto no que ultimamente te tem dado mais atenção mas não sabes o que procuras ao certo. Sabes que é comigo que queres estar, que é na minha cama que queres acabar o dia mas a forma como o tentas fazer não é suficiente para me agarrar. Tenho um escudo racional que não deixa que os germes me ataquem e me tirem a vista.

Tento dar o que não te dei durante tanto tempo. Tempo esse em que estiveste sempre presente mas onde nunca encontrei o teu valor até .... agora. Estiveste sempre na minha cama com vontade de mais e mais, eu é que nem reparava em ti. Ou reparava mas não ligava. Ou não reparava mas sentia. Ao não reparar sabia que estavas presente e isso não me permitia dar-te atenção, tinha-te por algo certo e que iria continuar presente independentemente do que fizesse.



Aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh!
(estou mais aliviada)

Grito por saber que não me ouvem ou por saber que mesmo que me ouçam não virão em meu auxílio. Sei cuidar de mim!
Bullshit!

A importância que não dão, dou eu a dobrar. Por competência ou ignorância estarei sempre presente para dobrar essa doença que insiste em atormentar quem por cá passa. Fazer tudo para que continues a querer deitar-te na minha cama. Mas também temos a tua ... ou o chão. O chão está frio! Talvez seja melhor aquelas duas mantas com uma almofada por cima do chão em contacto com o refresco da alma onde me pintas caricaturas personalizadas da tua imaginação. Parece seda! A caneta desliza mesmo sem tinta. Molha-se a ponta e lá recomeça o desatino imaginário.



Aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh!
(Acaba com isto!)