Ninguém deve passar o Natal sozinho .. mas .. e o resto dos dias?
Tantas pessoas perdidas como cerejas trigémeas que parecem dar ainda mais prazer ao comer mas que no fundo sabem ao mesmo que as solitárias. Passamos por elas e olhamo-las de lado com desprezo e agonia. Não conhecemos e muito menos percebemos o que as levou a chegarem àquele ponto de sujidade e solidão.
Que história estará por detrás daquelas rotas velhas calças?
Ontem fui passear por Lisboa e deparei-me com muitas dessas pessoas.
Uma estava à porta da igreja, "deitadamente" sentado com as pernas tortas e os olhos fechados. Ignorei e entrei na igreja.
Fui lá para a admirar, para apreciar a sua beleza, beleza essa que ainda mais tinha após o incêndio que a desfez há 50 anos.
Ao entrarmos perguntaste-me se era religiosa.. Eu disse: "Não..Não Sei. Não acredito na Religião Católica.". Tu acrescentaste: "..ou acreditas apenas em algo superior?". Eu não te falei de volta. Não quis responder, naquele momento não me passava outra coisa que não... isto:
- Enquanto a olhava recordava-me do quanto tinha chorado duas noites antes, quando te enviei aquele sms onde mostrava a minha fraqueza. Ao lembrar-me deu-me vontade de chorar novamente mas recolhi as lágrimas ao virar-te as costas, não como o fiz há um ano mas um virar de costas como aquelas que os anjos não têm. Não por me considerar um anjo mas por saber que demónio não sou e que anjo és tu.
Quando saímos olhei novamente para o sem-abrigo, pus o gorro na cabeça e seguimos caminho sem sequer comentar aquela figura perdida.
- E se tivéssemos parado para conhecer a sua história?
- Ter-nos-ia isso tirado algum pedaço maior que não o momento seguinte em que bebemos Ginginha?
- Teriam aqueles 10 minutos feito assim tanta diferença nas nossas vidas?
- Nos quilómetros que percorremos nesse dia?

- No tempo que perdemos no Pão de Açúcar ou na cama?
É hipócrita.
Sinto-me hipócrita.
Sou hipócrita por me custar não dar atenção às pessoas que me rodeiam.
Por saber que não está correcto mas mesmo assim preocupar-me mais com o meu umbigo ou o meu cabelo. Por me chamarem à atenção e mesmo assim voltar a fazer a mesma merda. Depois escrevo a lamentar-me das misérias com que me cruzo, que me rodeiam.
Preciso de agir, preciso de encontrar algo que me preencha, algo que sei que ajuda essas pessoas para quem não olho.
Para uns é ridícula esta forma de estar e viver, para mim não há nada melhor que a satisfação própria, o sorriso nos olhos de uma pessoa não com a justificação de que é Natal, como fazem as estações televisivas e radiofónicas mas porque sim! ..
Não preciso que me agradeçam, só que sorriam. Não faço nada para que me dêem algo em troca, apenas que aproveitem o que lhes é dado: seja um microfone, uma casa arrumada ou um bilhete para o melhor concerto do mundo. Assim como falo de mim, falo também para quem me dá: Não agradeço, sorrio apenas ., sorrio apenas.
4 análises:
És uma palerma. E fico feliz por ser um dos primeiros textos que escreves que são abertos ao mundo.:)
Concordo em absoluto.
que és mesmo palerma. A qualidade do texto não merece qualquer elogio, é banal e presunçoso.
Concordo consigo, querido anónimo. Obrigada por, mesmo assim, ler e comentar. :)
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