Este é sobre ti .

sexta-feira, 26 de março de 2010

Tirando tudo o que me rodeia, sobra nada .
Não procuro algo que exista fora desse espaço mas por vezes era bom olhar para ver presenças.

Cozinho com vontade, arrumo, trabalho e ainda tenho tempo de dormir. Agrada-me essa ideia, faz-me querer viver ali, naquele espaço pequeno com alguém tão grande. Um dia hei-de fazer-lo mas não para já, vou embora sem pensar uma única vez. Não vou reflectir, nem datas dizer... vou e volto. Quando, não sei, talvez pelo Natal.

Ai de mim querer ficar e deixar de viver.
Querer tudo e não o conseguir.
Encontrar um conforto e não conseguir descansar.
Querer-te ali e não te ter.

Não vou dormir e muitas noites vou chorar, disso sei. Também sei que tempo não faltará para dizer-te o que penso, quer seja por e-mail como por carta ou postal.

Preciso desse espaço para me concentrar e investir no que sei que fará de mim pessoa. Sei que o conseguirei atingir mesmo sem reconhecimento de outrem. Não precisarei disso, não precisarei que me digam, precisarei de opiniões, sorrisos e ajuda mas não reconhecimento, disso terei eu.

Ser uma boa crítica própria é o que, ao longo do tempo, me tem tornado na mulher que hoje sou e, por isso, continuarei a fazê-lo enclausurando-me na Faculdade ou no pensamento.






Jogam às cartas aqui ao lado e o respeito que sinto que têm para comigo faz-me sorrir neste instante, faz-me olhar de esguelha e saber que não vêm à minha mesa porque sabem que estou no meu momento. Basta colocar os auscultadores e não falam, olham interessados mas não se atrevem a vir. Isso é bom, é agradável, é maturo e simpático. São crescidos, estes miúdos, são o meu conforto onde pensei não encontrar.

"Vou para a Faculdade estudar, não para fazer amizades".. Damn!

É bom dizer coisas da boca para fora. Dá-nos oportunidade de crescer e abrir as mentes para o que possa vir, manter tudo o que nos vem à cabeça é um poço sem fundo, é um mar de areia movediça em que ninguém nos conseguirá ajudar. Saber disto aos 23 anos é bom, é crescer sem pensar no que passou.
Gosto disso.


Os comportamentos que presencio fazem-me sentir pequena mas nem por isso me tiram a tranquilidade deste momento, nem por isso se apoderam do que temos ou do que mostramos. Vais lá fora fumar um cigarro enquanto atrás de ti vai ela, perante isso só sorrio.. não porque penso em 20 coisas que poderão advir daí mas por reconhecer que estarias bem com ela. Custar-me-ia mas também sei que não deixaríamos de ter as 5 horas que passamos a conversar ou a tua capacidade de crescimento iria desaparecer. És muito grande mas não o suficiente para mim, ainda. Para ela és, ela poderia mostrar-te e ensinar-te a ser um da tua idade.. não que isso entre em questão, mas como te disse, não quero que subas a fasquia podendo com isso perder as oportunidades que virão. Não deixas de me dar o que dás, não me tires o tanto que já deste.. espero que não.

As mentalidades adversas que já passaram por aqui mostram o quanto ainda tens de crescer, no entanto, as mesmas mentalidades não te darão o que precisas para o fazer.

Tens-me .








Um brinde a nós e aos presentes .

Qualquer Coisa Que Me Prende .

terça-feira, 23 de março de 2010

Com a cabeça descabelada e sem precisar de despertadores vocais, acordei sorridente.
Depois do cansaço que se apoderou de mim este fim-de-semana, dei por mim a ter uma Segunda-Feira marcante e invejada por outros, quer para quem sabe como para quem não precisa de saber.


Acordei com a tal energia vitalizante que me caracteriza mas que, por algum motivo que agora não interessa, não me acompanhava há já umas semanas. Senti-me fresca mesmo antes do banho matinal e a boca tinha um perfume diferente, ainda tinha o teu cheiro corporal do dia anterior a rodear-me e isso ainda me fazia sentir melhor. Saí a tempo e fui para as aulas, prestei a atenção devida e senti produtivo o que os dois Professores, um de Língua Alemã e outro de Poesia Lírica, me deram a conhecer. Absorvi cada palavra e registei-as no meu caderno "leva-com-tudo".

Combinei contigo um almoço e com ele uma conversa para final de tarde.
Correu tudo como não tínhamos planeado.

Saí da aula ainda com o telemóvel na mão e, tendo esperança de que já ali estarias, olhei para o fundo do bar .. lá estavas tu.
Peguei no carro já a sorrir por sair dali depois de saber que tinha a tarde livre. Tivemos dúvidas sobre onde iríamos comer mas num ápice encontrámos o que nos pareceu mais adequado, fizeste uma chamada e lá fomos nós até à Baixa de Lisboa.

Entrámos no restaurante e assim que vimos as garrafas de vinho já sabíamos que uma delas iria parar à nossa mesa. Eu escolhi uma das mais pequenas mas tu tiveste a iniciativa de pedir a maior... e fizeste tão bem! A meio da garrafa já nos ríamos (ou eu) como só com o álcool conseguimos e num bater de pestanas comemos, bebemos, pagámos, bebemos aquele licor azedo e lá fomos nós.

Pusemo-nos a andar e, mais uma vez, introduziste o tema "Álcool". Mais uma Ginginha para cima naquele lugar onde já tinha estado, à porta daquela igreja que memórias me tinha renovado. Não me deixei render e depressa deslizei para aquela realidade difícil de esconder.
Estava oficialmente embriagada na praça pública!

No caminho sempre a sorrir, seguravas-me para não cair e a ti para não tropeçares em Chineses e Ingleses que para nós olhavam. Não me senti incomodada pela situação em que me colocara, pelo contrário, a liberdade que se apoderou de mim fez com que não me preocupasse com mais nada que não eu.

( Não caias, não caias, não caias)

Sentámo-nos junto ao rio e por lá ficámos.
Em gesto de festa e artes marciais, lá nos divertimos, sorrimos e caímos.
Deitámo-nos no calhau em frente ao Terreiro do Paço laçando gargalhadas honestas de amizade para nos lembrarmos que precisávamos de mais! Lá voltámos tudo até ao restaurante e para espanto imediato, trouxemos mais uma garrafa de 1,5L de vinho fresco e caseiro:

"Meta essa garfada na boca e coma descansado, homem!"

O calhau ainda lá estava vazio. Voltámo-nos a sentar e meia garrafa bebemos, ele bebeu o resto quando chegou. Ficámos os três durante uns minutos calados a admirar:

"Os meus cruzeiros a passar e nem um me vem buscar!"

As pessoas que viajavam nos Cacilheiros não imaginam o que é a felicidade de ter um calhau e dois amigos à beira rio numa tarde de sol . Entre conversas, cavalitas, vídeos, fotografias e gargalhadas.. muitas gargalhadas, bateram as 18h00 e o entardecer.

Deixei-vos em casa ainda com tempo de um último cigarro fumar e assim como começou, acabou.
Sorri durante todo o caminho.





Caiu uma lágrima.

Ideias Soltas .

segunda-feira, 15 de março de 2010



Ninguém desaprende de escrever nem desaprende de ler, aprendemos a gostar de escrever e a gostar de ler.
Como em tudo, procuro uma razão para escrever ou para ler o que alguém um dia ousou escrever sobre mim ou sobre outrem.

Envolvi-me, gostei de me envolver, quis-me envolver mas aparentemente não o deveria ter feito. Não que isso traga mau estar ou tristeza, traz algo pior que isso, ardor no peito. Se por um lado ela tem o que quer quando quer, também me dá aquilo que preciso agora:

Equilíbrio e conforto.

Algo que procurava dentro de mim mas nunca encontrei. Com ela consegui encontrar essas tais duas peças essenciais, não através de noites mal dormidas com ela presente ou não na cama onde tento adormecer, mas através da troca de sorrisos, olhares ou apenas troca de experiencias melhor ou pior vividas.

Pensei, penso e pensarei. Está na minha natureza fazer sempre uma reflexão sobre os passos dados, não que me faça sentir obrigatoriamente bem mas faz-me, pelo menos, perceber se o que fiz poderá ter alguma força na minha expressão escrita.

Encontro-me deitado ao lado dela e nem se apercebe que estou a escrever enquanto dorme ou, pelo menos, tenta adormecer com esta luz que entra pelo quarto que não me deixa a mim dormir. Nestas últimas horas passaram-se momentos de pura loucura em que preferi não pensar…deixar-me levar, enfim, envolver-me no que receio que seja uma simples mas bastante louca noite. Arrepender não está entranhado na minha vivência do dia-a-dia e, portanto, faço um balanço em todo o seu esplendor de algo que posso guardar para mim.

Por um lado, algo nela me dá a segurança de saber que não estivemos por estar, mas, por outro lado, a certeza de saber que noites destas podem não se vir a repetir…isso deixa-me agora, que ainda estou aqui, um sentimento de querer mais ainda, de saudade talvez, é confuso e assustador ao mesmo tempo.

O momento vale pela sua intensidade e não pelo tempo despendido nesse momento (e que momento!), onde a entrega foi brutal, onde podia ter sido ainda mais intenso não fosse eu detido pelo meu próprio cansaço.

Não espero nada do amanhã…ou espero que ela me continue a dar o que dá sempre. Tal qual como comecei este texto de ideias soltas, não desaprendi a escrever apenas voltei a ganhar o meu gosto pela escrita, por ela me incentivar, por dar valor ao que escrevo. Pelo menos desta vez sei que ao escrever ela vai ler, vai considerar e mesmo sabendo de que para ela se dirige talvez metade das palavras deste documento, não irá fazer juízos de valor ou perguntas estúpidas.

Sim, escrevo maioritariamente para mim mas também tenho em mente que quando um texto tem um destinatário de ideias, esse destinatário deve ter conhecimento do mesmo.
Dá-me um certo gozo que assim o seja.





Envolvi-me, gostei de me envolver, quis-me envolver!


Por Luís Henriques

Sono Esquecido .

sábado, 13 de março de 2010

Era uma manhã de Inverno na cidade de Vimioso, fria e silenciosa que cobria com neve todas as casas que dali se avistavam. O frio que se fazia sentir lá fora não incomodava Adelaide que dormia com os seus cabelos loiros compridos caindo-lhe sobre o rosto pálido que eu tanto amava. Estava deitada de lado com as mãos entre as pernas e os joelhos flectidos. Eu, na mesma posição, observava-a sentido a sua respiração tranquila no meu nariz. Era quase impossível suportar aquela postura sem a querer abanar e dizer-lhe:

- Acorda! O mundo desabou!

Na noite anterior não tinha pregado olho. As lágrimas escorreram-me durante horas pelo rosto, passando pela orelha e morrendo na almofada de Adelaide. Não conseguia pensar em mais nada que não num motivo para querer continuar a respirar, para querer continuar a viver com aquela pessoa que dormia com uma tranquilidade intrigante depois de tudo o que se tinha passado.

No dia 10 de Dezembro Marta fazia 5 anos. Estávamos a brincar no jardim, a construir o “maior boneco de neve do mundo”- como dizia a minha princesa. Corremos a casa à procura de qualquer coisa para fazer um nariz para o boneco, encontrámos um cabo de madeira de uma colher de pau. Marta foi colocá-la na figura enquanto eu fazia um chocolate quente para aquecer as nossas mãos e estômagos. Ouvi uma buzina repentina, um guincho de pneus a deslizar pela estrada coberta de gelo. Uma pancada!

- Marta! – gritei eu largando as chávenas e correndo até à entrada de casa. De imediato percebi que era a minha princesa que estava estendida diante do carro. Tentei acordá-la dando-lhe pequenos abanões, as lágrimas caíam-lhe sobre a face mas sem uma única expressão fazer:

– Papá, o boneco já tem nariz. - sorriu delicadamente com um franzir de lábios, fechou os olhos e não os voltou a abrir.

Adelaide não saiu do carro. Ainda com as mãos no volante, caiam-lhe lágrimas de desespero e impotência. Peguei em Marta, levei-a para dentro, deitei-a no sofá e chorei ao seu lado. Adelaide entrou em casa, despiu-se, deitou-se e até agora ainda dorme.

Ontem, depois de deixar Marta no sofá, dei por mim junto de Adelaide tentando perceber o que era real. O frio que se fazia sentir lá fora só iria incomodar Adelaide quando acordasse, não me atrevi a roubar-lhe aquele último momento de fraqueza.

Conforto .

sexta-feira, 12 de março de 2010




















Já não me sinto vazia. De todo, aliás.


Não me lembro da última vez que estive com tanta vontade de fazer algo, de comunicar, de beber e de jogar como hoje. Não percebi ainda do porquê ou já percebi e, de certa forma, não o quero afirmar por me fazer sentir menos mulher.

De que forma me pode fazer sentir menos mulher?
- Querendo algo que sei que não poderá resultar.

O que me faz mesmo espécie no cóxis é saber que o quero embora não possa:

- Não posso por gostar.
- Não posso por querer mais.
- Não posso por ser forte.
- Não posso por... parvoíce.


Este não é sobre ti, não te assustes.
Um dia será mas não hoje!

Aquele dia será nosso!
Para mim numa forma mais aberta contigo, para ti numa varanda de livro no bolso e caneta em punho.
Vais dar-me uma porrada de palavras que nem irei saber para onde me virar... espera! Já deste... e foram das tuas..




.. as da Internet ficam para depois.