Qualquer Coisa Que Me Prende .

terça-feira, 23 de março de 2010

Com a cabeça descabelada e sem precisar de despertadores vocais, acordei sorridente.
Depois do cansaço que se apoderou de mim este fim-de-semana, dei por mim a ter uma Segunda-Feira marcante e invejada por outros, quer para quem sabe como para quem não precisa de saber.


Acordei com a tal energia vitalizante que me caracteriza mas que, por algum motivo que agora não interessa, não me acompanhava há já umas semanas. Senti-me fresca mesmo antes do banho matinal e a boca tinha um perfume diferente, ainda tinha o teu cheiro corporal do dia anterior a rodear-me e isso ainda me fazia sentir melhor. Saí a tempo e fui para as aulas, prestei a atenção devida e senti produtivo o que os dois Professores, um de Língua Alemã e outro de Poesia Lírica, me deram a conhecer. Absorvi cada palavra e registei-as no meu caderno "leva-com-tudo".

Combinei contigo um almoço e com ele uma conversa para final de tarde.
Correu tudo como não tínhamos planeado.

Saí da aula ainda com o telemóvel na mão e, tendo esperança de que já ali estarias, olhei para o fundo do bar .. lá estavas tu.
Peguei no carro já a sorrir por sair dali depois de saber que tinha a tarde livre. Tivemos dúvidas sobre onde iríamos comer mas num ápice encontrámos o que nos pareceu mais adequado, fizeste uma chamada e lá fomos nós até à Baixa de Lisboa.

Entrámos no restaurante e assim que vimos as garrafas de vinho já sabíamos que uma delas iria parar à nossa mesa. Eu escolhi uma das mais pequenas mas tu tiveste a iniciativa de pedir a maior... e fizeste tão bem! A meio da garrafa já nos ríamos (ou eu) como só com o álcool conseguimos e num bater de pestanas comemos, bebemos, pagámos, bebemos aquele licor azedo e lá fomos nós.

Pusemo-nos a andar e, mais uma vez, introduziste o tema "Álcool". Mais uma Ginginha para cima naquele lugar onde já tinha estado, à porta daquela igreja que memórias me tinha renovado. Não me deixei render e depressa deslizei para aquela realidade difícil de esconder.
Estava oficialmente embriagada na praça pública!

No caminho sempre a sorrir, seguravas-me para não cair e a ti para não tropeçares em Chineses e Ingleses que para nós olhavam. Não me senti incomodada pela situação em que me colocara, pelo contrário, a liberdade que se apoderou de mim fez com que não me preocupasse com mais nada que não eu.

( Não caias, não caias, não caias)

Sentámo-nos junto ao rio e por lá ficámos.
Em gesto de festa e artes marciais, lá nos divertimos, sorrimos e caímos.
Deitámo-nos no calhau em frente ao Terreiro do Paço laçando gargalhadas honestas de amizade para nos lembrarmos que precisávamos de mais! Lá voltámos tudo até ao restaurante e para espanto imediato, trouxemos mais uma garrafa de 1,5L de vinho fresco e caseiro:

"Meta essa garfada na boca e coma descansado, homem!"

O calhau ainda lá estava vazio. Voltámo-nos a sentar e meia garrafa bebemos, ele bebeu o resto quando chegou. Ficámos os três durante uns minutos calados a admirar:

"Os meus cruzeiros a passar e nem um me vem buscar!"

As pessoas que viajavam nos Cacilheiros não imaginam o que é a felicidade de ter um calhau e dois amigos à beira rio numa tarde de sol . Entre conversas, cavalitas, vídeos, fotografias e gargalhadas.. muitas gargalhadas, bateram as 18h00 e o entardecer.

Deixei-vos em casa ainda com tempo de um último cigarro fumar e assim como começou, acabou.
Sorri durante todo o caminho.





Caiu uma lágrima.

2 análises:

Unknown disse...

Gostei! Não preciso, nem tenho de dizer mais nada... Já o fizeste, e mesmo que não o tivesses feito...

Anónimo disse...

Belo caminho para um futuro, senão sorridente, pelo menos alegre e bem regado.