Era uma manhã de Inverno na cidade de Vimioso, fria e silenciosa que cobria com neve todas as casas que dali se avistavam. O frio que se fazia sentir lá fora não incomodava Adelaide que dormia com os seus cabelos loiros compridos caindo-lhe sobre o rosto pálido que eu tanto amava. Estava deitada de lado com as mãos entre as pernas e os joelhos flectidos. Eu, na mesma posição, observava-a sentido a sua respiração tranquila no meu nariz. Era quase impossível suportar aquela postura sem a querer abanar e dizer-lhe:
- Acorda! O mundo desabou!
Na noite anterior não tinha pregado olho. As lágrimas escorreram-me durante horas pelo rosto, passando pela orelha e morrendo na almofada de Adelaide. Não conseguia pensar em mais nada que não num motivo para querer continuar a respirar, para querer continuar a viver com aquela pessoa que dormia com uma tranquilidade intrigante depois de tudo o que se tinha passado.
No dia 10 de Dezembro Marta fazia 5 anos. Estávamos a brincar no jardim, a construir o “maior boneco de neve do mundo”- como dizia a minha princesa. Corremos a casa à procura de qualquer coisa para fazer um nariz para o boneco, encontrámos um cabo de madeira de uma colher de pau. Marta foi colocá-la na figura enquanto eu fazia um chocolate quente para aquecer as nossas mãos e estômagos. Ouvi uma buzina repentina, um guincho de pneus a deslizar pela estrada coberta de gelo. Uma pancada!
- Marta! – gritei eu largando as chávenas e correndo até à entrada de casa. De imediato percebi que era a minha princesa que estava estendida diante do carro. Tentei acordá-la dando-lhe pequenos abanões, as lágrimas caíam-lhe sobre a face mas sem uma única expressão fazer:
– Papá, o boneco já tem nariz. - sorriu delicadamente com um franzir de lábios, fechou os olhos e não os voltou a abrir.
Adelaide não saiu do carro. Ainda com as mãos no volante, caiam-lhe lágrimas de desespero e impotência. Peguei em Marta, levei-a para dentro, deitei-a no sofá e chorei ao seu lado. Adelaide entrou em casa, despiu-se, deitou-se e até agora ainda dorme.
Ontem, depois de deixar Marta no sofá, dei por mim junto de Adelaide tentando perceber o que era real. O frio que se fazia sentir lá fora só iria incomodar Adelaide quando acordasse, não me atrevi a roubar-lhe aquele último momento de fraqueza.
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2 análises:
De onde é que isto foi copiado?
A arrogância dessa questão está inerente na falta de inteligência de quem a escreveu. Tenho alergia a esse género de atitudes e compreendendo que não me conhece, agradeço ter lido.
É um gesto muito feio, tal como o(a) Senhor(a).
A realidade de que podia ser interpretado como um elogio evapora-se pela falta de elegância e educação demonstrada, é uma pena.
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