- Quando me arrancas pedaços de cabelo ainda com raiz para mais tarde os varreres e atirares para o canto do quarto.
Não quero que voltes a levar-me em passeios e abraços inesquecíveis que me farão chorar em silêncio enquanto com uma falsa verdade me tentas dar-te.
Não quero pedaços aqui e ali só quando tentas remendar o que pensas que atormentar-me-ia há uma semana ou há uns dias. É assim tão difícil dares-me o que és?
Não te peço o que não és, apenas que me mostres o que escondes atrás desses olhos azuis em que não reparei quando te conheci. Quero conhecer-te e arrancar de ti o que já roubaste de mim com desenhos, vestidos e palavras ocas que me deixam escondida no que sinto por ti e me remetem ao silêncio que vai assombrando durante a noite.
Agarra-me com força e não me deixes fugir.
Eu fiz uma escolha, quis-te. Lavei-me de tormentos sentimentais que até há bem pouco tempo me perseguiam e escolhi pertencer-te, mas a relação não sou eu, somos nós. Se existe algo em ti, demonstra-mo agora porque não haverá um mais tarde.
Mais tarde apenas estarei eu e tu, mas como um conjunto sonhado não existiremos nem em dois anos ou 20.
Se não existe algo para além do que sentes, deixa-me ir.

É tudo o que (não) te peço.
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