Escrita fútil .

sábado, 25 de setembro de 2010


Já nem sinto que sei escrever. Nada do que escrevo me tem dado prazer e, por isso, prefiro estar afónica de escrita. Tudo o que tenho lido faz-me querer escrever melhor mas quando o que se lê o que se escreve se sobrepõe à forma como se escreve, não interessa se está bem escrito ou não, escreve-se e fica feito.
Uma lágrima foge enquanto escrevo e recordo:

- "Não devias estar na festa da Mtv?"

- "É onde estou. Devias estar aqui."

Ficar ou voltar. Não me interrogo.
Gosto de estar por cá mas dói não viver o que tenho perdido aí.
Com trabalho ou sem trabalho, com tempo ou sem tempo.. diz-me um "olá", por favor. Dói menos.
Não basta uma música ou um texto "SMSiado", preciso de mais. Preciso de atenção quando estás ocupado em momentos de interacção ou quando tens tanto sono que adormeces com o telemóvel na mão.

Ficar ou voltar. Não me interrogo.
As pessoas que se conhece são apetitosas. Fazem-nos querer descobrir o seu mundo e vivê-lo sem pensar no que já vivi. No entanto, as minha bases são quem eu deixei. Quem me fez querer vir e perder momentos como o de hoje. Não é uma festa, é um passo para o teu futuro. É um passo para um:

- "Já temos casa em Badajoz e em Cadiz."
.
ou um:

- "Amo-te!" em tempo real.

Para mim não é uma recordação, é um viver a todo o custo de alguém que nos é querido. Os momentos que vivi fazem-me chorar mas não porque estou longe, apenas porque foram partilhados por pessoas amadas ou locais eternos onde sei que posso voltar com quem quiser que, independentemente do aspecto, vão deixá-los pagar apenas 5 euros.

Ficar ou voltar. Não me interrogo.
Por enquanto, a dor que me controla não me deixa gozar um único momento sem recordar o que já vivi. Não me deixa ser eu em qualquer parte por não o conseguir ser sem a tua presença.
Fizeste um "like"... magoou. Somos todos um "like" na vida de alguém, não quero ser um "like" na tua e não quero que sejas um na minha. A construção se alicerces foi feita, falta saber se vais continuar a querer construí-los ou vais querer segurar numa picareta e derrubá-los com mágoa e perseverança.

Ficar ou voltar. Não me interrogo.
China, Palestina, Roménia, Índia, Espanha, Portugal, França, Lituânia, Estónia, Irlanda, Inglaterra, Estados Unidos ou Polónia, todos falam a mesma língua:

- "I miss my family."

Eu falo uma língua diferente:

- "Foi a tua escolha. Deal with it."

ou outra ainda:

- "Já temos casa na China, Palestina, Roménia, Índia, Espanha, França, Lituânia, Estónia, Irlanda, Inglaterra, Estados Unidos e Polónia."

Ficar ou voltar. Não me interrogo.
Dizes que custa, que tens saudades, que me amas ou que me queres na tua cama. Eu digo que já não me imagino sem ti e tu respondes que "isso é brutal!".. é, é brutal a dor de não poder ter o que se quer e quando se dá o que não se tem, tenta-se sorrir com a mais leve situação. Não sorri quando li o que escreveste mas sem saber como poderia responder, fiquei segura no meu espaço e deixei de viver-te por umas horas. Libertei-me de ti e do que me fizeste sentir naquele momento e dancei toda a noite sempre com uma cerveja na mão ao som de música latina!

Ficar ou voltar. Não me interrogo.
De momento escrevo como me apetece sem me preocupar se o sei fazer ou se serei julgada por isso. Faço mal. Devia preocupar-me sempre mas sempre que me preocupo sofro. Não gosto de sofrer e minimizo aos olhos dos outros o que vivo por não querer que sofram comigo. Contudo, a minha indiferença faz-me sentir mais livre e amada sem ter de me vestir ou colocar uma maquilhagem que me faça parecer mais morena.

Não me queixo mas estás na festa. Gostava de me sentir importante no meio de tantas pessoas bonitas. Gostava que o teu "não quero saber da festa, vou lá para beber" tivesse o verdadeiro significado das palavras que escreveste, assim como estas palavras são gémeas do que sinto.

Não vou voltar. Vou ficar.

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