
Dás-me recordações tão bonitas como os olhos que trazes.
O que nos fez chegar aqui?
Não me escondo do que me deste mas protejo-me do que não me dás. Tenho dor escrita a lâmina de barbear na palma da mão por não te teres derramado sobre mim. Não me deste e não vais dando o que sinto por necessidade e recusas-te a assumir que não irá dar certo.
Bebo e palreio com vontde de me estender na janela e congelar com o frio para não sentir.
Não sentir a dor que me quebraria se conseguisse congelar.
Empurras, puxas. Empurras, puxas.
Vou e venho num balançar de emoçoes. Manténs-me equilibrada no que te deixa confortável e não vês em mim uma liberdade.
Procuras o sexo e a bebida.
Um dia amei o sexo, o sonho e o que via ao teu lado.
Hoje amo o sexo e os teu olhos.
Dói-me o peito.
Não quero conhecer o que tiveste. Não quero saber o que vais tendo.
Quero libertar-me. Quero saber do que és feito e do que me podes dar ao fazê-lo.
Quero saber tanto que me perco e não descubro.
Não quero descobrir. Quero que me digas.
Teres coragem para me enfrentar.
Não sentires que me magoas.
Sentires que quem se magoou foste tu.
Não me culpes.
Não te atrevas a dizer que os teus actos são culpa minha. Que cada comportamento teu é espelho dos meus.
Tu vives, eu assisto.
Por enquanto comporto-me segura.
Nada planeio ou desejo. Apenas sinto e respiro pronta para sair segura do que quero.
Por mais que deseje o que te rodeia.. não passa disso. Estás no centro do que conheço e não consegues fazer-me frente.
Tenho vergonha.
