Uma nuvem de poeira é o que não a deixa dormir.
Entre essa nuvem estás tu, que tosses e te esquivas para longe.
A nuvem de poeira provoca-lhe espirros de alma.
Uma alma doente de quem não se quer curar.
Passeia todos os dias.
Assim que entra em casa sorri.
Quem olha para ela diz que está bonita e que aquela camisa lhe fica bem.
A beleza que traz no corpo esconde o que os olhos mostram.
Nos olhos traz a poeira.
A poeira que a envolve é tudo o que a rodeia e teima em deixá-la longe do que a pode curar.
Esta alma adoentada diz que tem vontade de lutar mas o corpo que a transporta condu-la à decadência física.
Provoca-lhe dores.
Dores que não a deixam provar do fruto que um dia sonhou e que, naquele momento, está deitado ao seu lado, tossindo a poeira que a cobre.
Queixa-se:
- O pó!
Ela enlouquece e, pensando conseguir sacudir a poeira de perto dele, guarda no bolso, fechando os olhos, a poeira que carrega.
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