Ética por excelência .

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A filosofia, na sua dimensão teórica, tende a contemplar a verdade e na dimensão prática tende a expressar-se no agir. Neste sentido, as acções têm o seu princípio de ser no Homem, pois sem ele, não há acção. O humano é, por isso, a causa final da acção e a causa eficiente enquanto motivação da acção. No entanto, a ideia do agir é diferente do produzir. A referência a este elemento torna-se crucial, uma vez que aqui, o pensamento da acção é o da produção.

É conveniente ainda afirmar o facto de estes terem em comum a natureza do horizonte em que acontecem. De facto, é o agir que exprime o Humano enquanto ser humano. Enquanto ser prático e social, o Homem é o princípio central da acção. É no campo do agir que o mesmo se pode cumprir na sua possibilidade extrema como ser ético. A possibilidade extrema do Homem é a de este se tornar excelente. Saber o que fazer não é suficiente, é necessário agir. Neste sentido, caracterizar o horizonte prático é caracterizar a situação específica em que se encontra.

Na generalidade, o mundo em que vivemos origina naturalmente frentes provocadores de acção. Por esse motivo, o Homem está, ao longo de toda a sua vida, exposto a casos-limite. A acção só acontece, no entanto, quando se encontra um espaço de manobra para a levar a cabo de livre e espontânea vontade.

A indicação de fenómenos de natureza prática é maioritariamente feita através de afecções disposicionais de sentido. Estas afecções dispõem e distinguem o bem e o mal. O prazer, por exemplo, lança-nos activamente e convida-nos a perseguir uma direcção. O sofrimento leva-nos, contrariamente, a evitar qualquer situação que esteja ligada a esta disposição: por isso mesmo, obriga-nos a um movimento de fuga ou de recuo.

A constituição de uma disposição de carácter é uma possibilidade extrema do ser enquanto humano.

Em causa está um abrir para o ser humano um espaço de manobra. Aí, poderá existir de acordo com a possibilidade que o especifica: agir de modo excelente. A deliberação ou a definição do carácter voluntário em contraposição ao carácter involuntário da acção definem a autenticidade e o carácter sério da acção humana.

Só o esforço constante e a recondução da afecção permitem lançar as bases para a compreensão de movimentações que nos afastam do que é destruidor e permite acercar-nos do que verdadeiramente constitui constância e estabilidade. Desta forma, o Homem está, assim, lançado para a felicidade. Se ser feliz é o princípio fundamental da vida humana é, também, uma possibilidade sua. Neste sentido, a felicidade é o fim, aquilo ao qual nada falta para ser, aquilo que é perfeito. É possível, portanto, declarar que o ser humano existe por se cumprir enquanto não for feliz.